SOBERANIA TECNOLÓGICA E INFORMACIONAL: O MERCADO DE DATA CENTERS NO BRASIL E NA UNIÃO EUROPEIA

  • Autor
  • João Paulo Guimarães
  • Co-autores
  • Helena Martins
  • Resumo
  • No atual estágio do desenvolvimento capitalista, sob o paradigma da digitalização (Bolaño, 2002), as plataformas digitais tomaram centralidade  nos processos de mediação social, econômica e política. Além de gerirem a circulação de conteúdos, corporações como Meta e Google avançam em relação à posse de cabos submarinos e centros de dados, consideradas infraestruturas “críticas”. Esse processo tem sido conceituado como infraestruturalização das plataformas (Plantin; Seta, 2019; Pierson, 2021; van Dijck, 2021) e é relevante porque, além de alterar a concorrência setorial, torna as plataformas centrais no próprio provimento de internet. Mais que uma questão física, adaptando a ideia de Bolaño (2015) ao tratar da relação entre economia e cultura, entendemos que o controle de camadas infraestruturais é expressão e reforça um controle anterior, político e econômico, o que gera debates sobre dependência e soberania. Esse cenário é agravado pelo fato do controle de nuvens e centros de dados representar acesso a informações diversas (Rikap, 2023).

    O presente artigo discute as políticas de desenvolvimento de um mercado interno de centros de dados (data centers) no Brasil e na União Europeia (UE), frente à crescente presença intersetorial de capitais estadunidenses. Para tanto, primeiro são apresentados dados sobre  a presença de corporações tecnológicas organizadas como plataformas digitais, a exemplo de Google, Meta e Amazon, no mercado de centro de dados (data center), na Europa e no Brasil. A partir deste quadro, são apresentadas políticas anunciadas pelo Brasil e pela UE sobre o desenvolvimento de um parque tecnológico em face da hegemonia do capital estadunidense, mostrando como tais movimentos configuram-se como reflexos de suas posições de soberania e dependência dentro da cadeia global de valor, bem como as possíveis perspectivas de alterações no quadro compreendido até o momento. 

    No caso da UE, é analisado documento oficial chave para a compreensão da construção de um projeto estratégico de soberania: State of the Digital Decade 2025: Keep building the EU's sovereignty and digital future, que apresenta uma síntese da situação da posição europeia em importantes setores da economia digital e sinaliza os horizontes do que é chamado no documento de “transformação digital”, a fim de ampliar a participação dos estados-membros nesses mercados. A estratégia é atrelada à busca pela soberania digital, apresentando, inclusive, a necessidade de expansão da capacidade energética dos data centers europeus frente à crescente demanda impulsionada pelo avanço das tecnologias de inteligência artificial. 

    No caso brasileiro, é analisada a Medida Provisória N° 1.318, de 17 de setembro de 2025, que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (REDATA), expedidaa via Medida Provisória pelo Governo Lula. Sintetizando análise sobre os mercados digitais no Brasil  (Martins; Guimarães, 2026), mostramos que o projeto apresenta uma série de benefícios fiscais para operadoras desse tipo de infraestrutura que desejem se inserir no mercado nacional. Objetivamente, o REDATA configura-se como a única política nacional que trata da expansão do mercado interno de data centers sem lastrear-se num projeto macro de nacionalização soberana da economia digital e reversão do quadro de concentração dos mercados.

     

  • Palavras-chave
  • Soberania tecnológica, Soberania informacional, Dependência, Data centers, Plataformização
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
Voltar Download
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
  • GT 3 - Indústrias Midiáticas
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
  • GT 5 - Economia Política do Jornalismo
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
  • Sessões Especiais em "Comunicação e Extensão"

Comissão Organizadora

Sociedade EPTICC

Comissão Científica

Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)

Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)

Antônio José Lopes Alves (UFMG)

Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)

Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)

César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)

Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)

Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)

Fernando José Reis de Oliveira (UESC)

Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)

Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)

Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)

Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)

Lorena Tavares de Paula (UFMG)

Manoel Dourado Bastos (UEL)

Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)

Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)

Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)

Rozinaldo Antonio Miani (UEL)

Rodrigo Moreno Marques (UFMG)

Ruy Sardinha Lopes (USP)

Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)

Verlane Aragão Santos (UFS)